Autores

Coelho, T. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ) ; Andrade, S. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ) ; Martins, E. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ)

Resumo

A cidade de Ilhéus vem passando por um processo de urbanização acelerada nos últimos anos, em destaque a zona sul, o que pode tornar as áreas de praias mais vulneráveis ambientalmente, somando-se a alteração da paisagem e as implicações advindas dessas interferências, visto que a cidade assenta-se na planície costeira, predominantemente, porém ocupa também as encostas, tabuleiros e mares morros. Diante disto, a pesquisa teve como objetivo elaborar mapas que subsidiam a análise socioambiental, que permitam entender a alteração da paisagem urbana entre os anos de 2000 - 2015, identificar as fragilidades e os possíveis riscos associados em diferentes condições físicas e de uso. Com tal análise,buscou-se entender através da interpolação dos mapas elaborados, a dinâmica de transformação da paisagem zona sul da cidade, cujas condições ambientais atuais evidenciam tais mudanças que alteram significativamente a morfologia do relevo, ocupação e alteração de encostas e topos de morro.

Palavras chaves

Paisagem urbana; Morfologia do relevo; Fragilidade ambiental

Introdução

A formação da sociedade ao longo da sua história sempre teve relação direta com os processos físicos naturais, e sendo assim, sua evolução através de diferentes ocupações criam novos ambientes e oportunidades para formar o que conhecemos por cidades. Esse espaço produzido e transformado, do meio natural em urbano, recebe atualmente, um olhar especial por parte da ciência geomorfológica, entendendo o homem como um agente transformador da paisagem, capaz de alterar e criar novas morfologias do relevo. Tamanha importância se justifica, pois é sobre esse relevo que todas as relações políticas e socioeconômicas se concretizam. O município de Ilhéus-Bahia, do ponto de vista físico e natural, representa uma das áreas mais favorecidas do Estado, numa sub-região tropical úmida, cujo clima representa um dos elementos fundamentais na definição do quadro natural, em consonância às condições de relevo, tipos de solo, diversidade vegetal e a rede hidrográfica. Tais características favorecem variadas potencialidades, que por sua vez, propiciam diferentes usos/ocupações e condições socioambientais. Ao longo da sua história Ilhéus passou por diversas atividades econômicas desde o período colonial, em destaque ao cultivo da cana-de-açúcar, café, algodão e a cultura cacaueira, economia que predomina até hoje, mas que no início da sua produção provocou uma corrida de imigrantes para os solos Ilheenses, muitos vindos de Sergipe e de outras partes do sertão baiano, sendo assim, responsável pelo grande crescimento da população da cidade (ANDRADE, 2003). O município teve seu apogeu econômico durante longo período, até as lavouras serem atacadas pela praga “vassoura de bruxa”, na década de 80, quando sua economia entrou para a maior crise da sua história. Isso desestabilizou produtores e desempregou milhares de agricultores que buscaram “refúgio” na cidade, que por sua vez, sem condições físico-sanitárias nem emprego a oferecer, recebeu as primeiras ocupações irregulares. Tais condições provocaram gradativamente um inchaço urbano e demandas por novas áreas a serem ocupadas (ARAUJO et al, 2005). Altos investimentos em loteamentos e condomínios (médio e alto padrão) foram implantados para atender o processo imigratório, principalmente, na zona sul da cidade, alterando significativamente a paisagem. No entanto, ressalta-se a fragilidade deste ambiente, área de restinga na planície litorânea e, na transição para os tabuleiros e mares de morros, a Mata Atlântica, sobre solos cujas condições denotam suscetibilidade a processos erosivos e, portanto, com grande vulnerabilidade à degradação ambiental de difícil controle. Algumas ravinas de grandes proporções e voçorocas ativas na região, causadas pela retirada da vegetação original, evidenciam tais processos. Neste contexto, se insere a cidade de Ilhéus, com antigo histórico de ocupação carente de planejamento ambiental. Em destaque, a zona sul que, principalmente, nos últimos 15 anos, vem alterando a morfologia do relevo, sem que se conheçam as reais consequências ambientais dessas intervenções. Buscou-se a relação sociedade x natureza numa abordagem sistêmica, pois a paisagem depende dos elementos, relações, atributos, entradas (inputs) e saídas do sistema (output) considerando uma análise espaço-temporal (BERTALANFFY, 1976; CHRISTOFOLETTI, 1979 e MORIN, 1977). Com essa perspectiva, o objetivo da pesquisa foi através do mapeamento do uso do solo, com ênfase a extensão sul de Ilhéus, resgatar o processo de evolução e expansão urbana, numa análise temporal de 15 anos (2000-2015). Analisar a compartimentação morfológica do relevo e a transformação da paisagem e suas condições socioambientais. Paralelamente, entender como os aspectos morfológicos influenciam nas relações de uso, expansão urbana, condições de fragilidades e riscos ambientais, principalmente em decorrência de grandes investimentos imobiliários, alterando a morfologia local, sem planejamento ambiental.

Material e métodos

O município de Ilhéus-Bahia apresenta uma área de 1.841 Km2 e está localizado na Região Nordeste, sul do Estado da Bahia. Limita-se ao norte com os municípios de Aurelino Leal, Uruçuca e Itacaré, ao sul com Una, a oeste com Itajuípe e Coroaci, a nordeste com Itapitanga, a sudoeste com Itabuna e Buerarema e a leste com o Oceano Atlântico (Figura 1). Para atender aos objetivos propostos, buscou-se um embasamento teórico sobre os principais aspectos históricos, econômicos, físicos e socioambientais que contemplam a temática abordada. Para a construção dos mapas que subsidiaram a análise, utilizaram-se cartas topográficas do IBGE, imagens com alta resolução do Google Earth, sendo estes adaptados à escala de trabalho, tais como, os mapas de pedologia, geologia e hidrografia provenientes da base de dados da Bahia SEI. Além destes, foram elaborados os mapas de declividade e hipsométrico, visando maior detalhamento das condições de uso e ocupação em função das características morfológicas do relevo. Utilizaram-se tais mapas em complementaridade a análise do mapa de uso do solo, dando ênfase à expansão urbana numa análise temporal de 2000 - 2015. Os mapas mencionados foram confeccionados utilizando-se do software ArcGIS 10.1®, sendo que o primeiro procedimento metodológico consistiu na delimitação da área urbana da zona sul de Ilhéus, através do aplicativo ArcMap, do referido software. Para todos os mapas, recortou-se a área de estudo a partir da ferramenta clip ou extract by mask, os layouts foram confeccionados e os mapas exportados. Para o de declividade e hipsometria utilizaram-se dados SRTM (dados de altimetria de todo o globo terrestre a partir de sensores ativos - radar) adquiridos no site dsr.inpe.br/topodata. No caso, para o mapa de declividade, criou-se um MDE (modelo digital de elevação), selecionando-se as classes em porcentagem para o município de Ilhéus (definido pela Embrapa em 1979). Para o hipsométrico, utilizando-se do mapa de declividade, geraram-se as curvas de níveis, inserida a imagem do relevo sombreado (com transparência). Confeccionou-se o mapa de geologia a partir da base de dados da CPRM, passíveis de classificação os elementos litológicos e de estrutura geológica e, para o mapa pedológico, utilizou-se a base de dados da Bahia SEI (Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais do Estado da Bahia), classificando-se os diferentes tipos de solo. Para o de hidrografia, classificou-se por tipo de rio presente no Município, permanente ou de margem dupla permanente e, nomeados devidamente na representação, com os dados utilizados da Bahia SEI (2014). Os mapas de uso do solo (2000 e 2015) foram confeccionados a partir das imagens dos satélites Landsat-5 e Landsat-8, adquiridas pelo site www.dgi.inpe.br. A sua confecção seguiu as seguintes etapas: primeiro, recortou-se as imagens de satélite para a área da extensão sul do Município de Ilhéus, interpretou-se e definiu-se as classes de uso do solo, para após exportar os dados, confirmar a partir das imagens atualizadas do Google Earth (2000 e 2015). Em campo adquiriu-se pontos de coordenadas GPS para georreferenciamento, registros fotográficos e identificação dos principais pontos de vulnerabilidade ambiental e alteração do uso e identificação de pontos de retirada da vegetação natural (cujas imagens utilizadas não representam tais atualizações). Verificou-se a pressão exercida pelo desenvolvimento urbano e especulação imobiliária, áreas de acentuado processo de erosão e/ou sistema de voçorocas ativas, cortes totais ou parciais das encostas e morros. Tais dados auxiliaram na interpretação dos mapas elaborados, mas também denota a necessidade da continuidade da pesquisa para analisar os processos e problemas de uso do solo, assim como, para definir outros parâmetros que possam auxiliar na avaliação da qualidade e planejamento ambiental desse recorte litorâneo.

Resultado e discussão

A cidade de Ilhéus confere expressiva beleza natural, além da sua riqueza histórica que representa ao Brasil. Após crise do cacau, Ilhéus tenta se firmar economicamente como uma cidade turística e passou a atrair novos empreendimentos e a receber novos moradores de outros estados ou do interior da Bahia. As Universidades locais e regionais denotam outro atrativo, o funcionalismo público, seja administrativo ou acadêmico, atrai profissionais de vários estados e também alunos de outras regiões. Esses são alguns dos fatores que fazem com que a cidade de Ilhéus se reestabeleça após crise e, consequentemente, delineia-se novos traçados urbanos. Os condomínios de médio e alto padrão na zona sul da cidade, por exemplo, de moradia fixa ou veraneio, evidenciam essa nova condição, que rapidamente se estabeleceu, principalmente nos últimos 15 anos. Isso nos instigou a realizar essa pesquisa, pois sabemos que o conhecimento das condições socioambientais do lugar é de fundamental importância e, que nem sempre vem acompanhado de um planejamento ambiental. Para isso, elaboraram-se os mapas hipsométrico, declividade, de geologia e pedologia apresentados na Figura 2, que somados aos de uso do solo, fundamentaram nossa análise. Interpretando os mapas de Uso do Solo (ano 2000 e 2015) analisados a partir das imagens Satélite Landsat-5 (ano 2000) e comparando-as com imagens Landsat-8 (ano de 2015) no Google Earth, da mesma área, torna-se evidente a expansão imobiliária em toda área urbana de Ilhéus, destacando-se, principalmente, a porção sul, conforme apresenta a Figura 3. Dessa área, porções em que no ano 2000, vê-se agricultura, pecuária e solo exposto, majoritariamente, em 2015 é substituído por uma área urbanizada ou em vias de consolidação urbana (grandes extensões de terraplanagem, em fase de arruamento para a construção de condomínios), mais próximo ao alinhamento às praias e estendendo-se sutilmente para o interior. Da mesma maneira, as áreas de solo exposto multiplicaram-se, em função de novos investimentos em construção. Por que, destaca-se a zona sul como principal eixo de expansão urbana? Entre outros fatores, a beleza cênica como um grande atrativo, principalmente àqueles que veem de outras regiões. Além disso, o inchaço urbano se consolidou no centro, em direção a oeste e a norte da cidade. Atualmente, a especulação imobiliária está direcionada à extensão sul, favorecida pela morfologia do relevo plano a ondulado, pois a planície litorânea se amplia ao interior, favorecendo investimentos diversos, valorizados pela excelente disponibilidade hídrica, localização e proximidade ao mar. No entanto, é importante lembrar que condições propícias topograficamente, não significam, necessariamente, condições ambientais adequadas de urbanização. Figura 2: Apresentação dos mapas de Altitude, Declividade, Geologia e Pedologia da extensão sul do Município de Ilhéus-Bahia. Os mapas comparativos de uso do solo (2000-2015) mostram que o processo de urbanização acontece com pouca preocupação em preservar a vegetação natural e/ou APPs (Área de Preservação Permanente). Pode-se observar nos mapas de uso em conjunto com o de declividade, que as encostas estão sendo totalmente ocupadas ou desmanteladas, rebaixadas, ganhando outras morfologias. Por outro lado, ao impermeabilizar os solos em áreas de planície e de restinga, somando-se ao processo de arruamento, tendem a sérios problemas relacionados a represamento da água, favorecendo ocorrências de alagamentos em períodos de intensas chuvas.. Além disso, a mudança do nível de base das encostas em função da consolidação urbana proporciona uma nova dinâmica e configuração das vertentes, pois a impermeabilização do solo, parcial ou total, altera a direção dos fluxos de águas e, em muitas situações acelerando a dissecação do relevo. Por outro lado, cortes da base das encostas dá maior instabilidade à vertente, aumentando os riscos de deslizamentos e processos erosivos intensos, em períodos de chuvas torrenciais, normalmente para Ilhéus, entre os meses de novembro a março. Quanto a ocupação das encostas e topos de morros (Mares de Morros), observa-se que os empreendimentos que deixam em evidencia o corte e alteração dessas áreas, quando não acompanhados de medidas para recuperar ou mitigar os impactos dessas intervenções, normalmente desencadeiam intensos processos erosivos de difícil controle. Como exemplo pode-se citar vários pontos classificados no mapa de uso do solo (Figura 3) como Areais ou Áreas Descobertas. Essas áreas representam vários pontos de ravinas e voçorocas, na altura das encostas, à direita da Rodovia Ilhéus - Olivença. A origem dessa problemática deu-se há aproximadamente 40 anos, quando desmataram algumas áreas para, posteriormente, retirar o material (solo e rocha) que serviram a elevação do aterro que sustenta a rodovia Ilhéus - Olivença. Uma vez ao findar a obra de aterramento, nada foi feito para mitigar os impactos ou recuperar tais áreas. Hoje, parte destas representam sistemas instáveis e sem controle, cuja ampliação é evidente nos mapas de uso do solo (2000 e 2015), assim como, a acelerada expansão urbana e impermeabilização do solo, sem priorizar o planejamento e gestão do espaço urbano. Paralelamente, a grande quantidade de novos moradores e/ou turistas acarreta o uso intensivo das praias. A intensificação do despejo de dejetos e de resíduos sólidos pode ameaçar a balneabilidade das praias e a salubridade desses locais. Isso se torna mais preocupante, pois na extensão sul, assim como, em boa parte da cidade, não há rede de saneamento e tratamento de esgoto. Especificamente, na zona sul, a EMBASA (Empresa Baiana de Águas e Saneamento S. A.), tem trabalhado nos últimos meses na instalação de tal infraestrutura, mas sem previsão para a finalização da obra. A grande corrida por novas moradias e investimentos nessa parte da cidade vem motivada principalmente, pela qualidade de vida que essa extensão da planície costeira oferece. Uma extensa faixa litorânea associada a uma pequena parte da mata Atlântica ainda preservada, apesar do desmatamento intensivo, oferece uma qualidade de vida muito valorizada atualmente, porém a própria urbanização pode oferecer uma ameaça à qualidade ambiental. Com a especulação imobiliária o preço cobrado pela vista é de aproximadamente ao correspondente a 30 % do imóvel, ou seja, 30 % à mais, comparadamente àqueles que não tem sua face voltada para o mar. Assim, é necessário que haja um diálogo mais intenso entre os interesses do capital imobiliário e a manutenção da balneabilidade das praias, por exemplo, em um limite adequado para uso recreativo. Só a preservação da riqueza natural, entendendo as fragilidades e potencialidades físicas ambientais da área e, portanto, os limites de uso podem garantir que essa extensão urbana siga sem grandes perdas ambientais e econômicas. Entende-se que este conhecimento pode auxiliar em tomadas de decisões administrativas sobre o planejamento e gestão da cidade.

Figura 1

Figura 1: Mapa de localização do Município de Ilhéus/Bahia. Fonte: Adaptação dos dados Basemap e Bahia–SEI -2017.

Figura 2

Figura 2: Apresentação dos mapas de Altitude, Declividade, Geologia e Pedologia da extensão sul do Município de Ilhéus-Bahia. Fonte: Dados do INPE, CN

Figura 3

Figura 3: Mapas de uso do solo da extensão sul de Ilhéus, comparadamente, para o ano de 2000 e 2015. Fonte: Imagens Satélite Landsat-5 (ano 2000) e La

Considerações Finais

O desenvolvimento urbano de Ilhéus, ao longo da sua história e expansão, não evidencia preocupação com o planejamento visando mitigar os impactos socioambientais. Assim, a cidade de Ilhéus de outrora, protagonista do período coronelista no auge da produção cacaueira, é muito diferente da Ilhéus que vivenciamos hoje, que tenta se firmar após crise, como cidade turística, porém sem um olhar voltado ao planejamento ambiental e valorização do seu lugar. A especulação imobiliária na zona sul, atraída pela beleza natural das praias, coloca em risco a qualidade das mesmas, visto que o desenvolvimento dessa área não acompanha infraestrutura adequada à garantir a qualidade ambiental. Nos mapas, Figura 3, as Áreas Descobertas e Areais, representam áreas de processos erosivos sem controle e passíveis de ampliação a medida que se amplia também a pressão urbana, de grande vulnerabilidade ambiental. Para planejar tais áreas, se faz necessário quantificá-las, conhecer dimensões e processos erosivos, relação com a morfologia do relevo e qualidade balnear, objeto de estudo na continuidade desta pesquisa. Em princípio, dados de campo e interpretação dos mapas, permite inferir que os processos erosivos veem se ampliando em vários pontos. Ressalta-se que, muitos condomínios estão próximos a essas áreas, assentados normalmente sobre solos altamente vulneráveis aos processos de erosão. Desta forma, as consequências dessas intervenções ainda são pouco conhecidas, motivação para futuras pesquisas.

Agradecimentos

Retrata-se aqui os agradecimentos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e ao Programa de Bolsas de Iniciação Científica da UESC - ICB / UESC, por apoiar a formação científica através da concessão de bolsas.

Referências

ANDRADE, M. P. Ilhéus: passado e presente. Ilhéus: Editus, 2003. 144p.
ARAUJO et al. Problemas Ambientais decorrentes da ocupação antrópica no Litoral de Ilhéus-Bahia. In: XI Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, 2005, São Paulo. XI Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, 2005. v. 2. p. 5749-5760.
BERTALANFFY, L. V. Teoria dos sistemas. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getulio Vargas, 1976.
CHRISTOFOLETTI, A. Análise de sistemas em Geografia. São Paulo: Hucitec, 1979.
MORIN, E. O método: a natureza da natureza. Lisboa. Publicações Europa-América, 1977. (Coleção Biblioteca Universitária).